quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Uma versão melhor.

Cansada de gente que mal saiu das fraldas e mal tem pêlos na periquita e já acha que sabe alguma coisa dessa bosta.
Eu tenho quase 30 e eu mal sei quem sou eu.
Embora eu não devesse me incomodar, porque quando eu mal tinha pêlos na periquita, quem achava que sabia alguma coisa sobre o mundo, era eu.
E eu não sei que mania idiota é essa dos adolescentes de acharem que sabem alguma coisa, sendo que a única coisa que sabem é vestir seus shortinhos enfiados no toba e sair por aí desfilando com seus cigarros acesos na mão, entupindo-se do câncer que um dia vai devorá-los quando eles estiverem com voz de pitchshifter no grave. E quando estiverem com voz de pitchshifter no grave, com as rugas quase cobrindo-lhe os olhos e quando o fedô da fumaça já estiver lhes impregnado todos os poros, tenho absoluta certeza que nem o mais bisonho dos obcecados achará interessante.
Aos 29 anos eu pago minhas contas, choro com minhas dívidas, tenho que fazer malabares entre me limpar e limpar o cocô das minhas duas cachorras, colocar o lixo na rua, pagar o aluguel em dia e tentar mudar um chroma key que não precisa ser mudado mas que a chefe achou que precisa.
E ainda assim, olhando-me no espelho todos os dias enquanto passo óleo de argan nos cabelos para que fiquem perfeitos, eu congelo por alguns segundos me olhando nos olhos, sem sequer saber direito no que me tornei ou estou me tornando.
Mas quer saber de alguma coisa? Eu sequer posso reclamar, porque isso é absolutamente tudo o que eu sempre quis, e como bem sabemos, a gente tem mania de reclamar de tudo.
Eu olho pra trás e por muitas vezes dou risada da coleção de merdas que já aprontei. Por outras vezes me sinto uma perfeita imbecil, já que continuo deixando alguns rastros da minha imaturidade e inconsequência adolescente por aí.
Mas talvez isso seja melhor do que viver uma vida pacata e sem graça lotada de certezas.
Acho que se a gente tem certeza de tudo, já podemos escolher a cor da mortalha e voilá! Ir pro céu ter a certeza da previsão do tempo com São Pedro enquanto ele faz rastafari em suas barbas.
Há pouco tempo atrás eu achava mesmo que a vida era feita de riscos. E por isso me arrisquei e não foi pouco. Mas nessas indas e vindas de riscos e rabiscos, algumas coisas deram errado e acho que me rabisquei demais. E então comecei a pensar se realmente valia a pena correr certos riscos já que alguns dão tão errado que parece que se emaranham num nó de escoteiro impossível de ser desfeito.
Talvez eu tenha dado um pouco de azar nas escolhas. Talvez, mais pra frente eu descubra que todas elas contribuíram para uma possível escolha incrível que mude minha vida.
Não sei.
O que sei por hora, é que as certezas me cansam. E que as minhas certezas são tão mutantes quanto um vírus. E entre uma merda e outra, entre a raiva e as poucas certezas, a única certeza que fica é que ainda assim eu não me trocaria por ninguém. A não ser, por uma versão melhor de mim mesma.

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