Parece de repente que acordei de um sonho dentro de uma vida da qual lamento praticamente todo o tempo em que estou acordada.
E não, não tenho um câncer, familiares amados doentes e nem atropelei alguém. Mas às vezes sinto um rombo do tamanho do universo me engolindo por dentro...e sabe o que é pior? Em 90% do tempo eu estou engolindo este rombo também, porque não posso demonstrar a minha angústia desesperadora de às vezes querer morrer e sumir.
Tenho tido uma vontade gutural de sumir daqui, no entanto, o que adiantaria? Os mesmos litros de lágrimas que derramo aqui, provavelmente derramaria também em Paris ou no bairro do Bom Retiro.
Tudo isso porque simplesmente um dia percebi que não estava entendendo absolutamente nada a respeito de mim e da minha vida. e hoje, Março de 2014, percebo que...hahaha...ainda não entendo nada.
O que sei é o que sinto, mas não sei exatamente descrever. É como uma nostalgia que sobe do coração para os olhos e me traz a sensação de estar tentando preencher meu estômago faminto com nuvens. Ou seja, tento preencher um vazio com algo ainda mais vazio e eu não sei o que fazer.
O ponto é exatamente este: eu não sei o que fazer.
Me vejo cercada do meu psicanalista, meu psiquiatra, meus remédios, minhas loucuras e minhas lágrimas e eu não faço a menor ideia de onde estou e muito menos para onde vou.
É uma dor que só quem perdeu a oportunidade de ser amado de verdade, sabe. Quando a gente vê o amor de perto, a gente é capaz de reconhecê-lo em qualquer lugar. E a dor vem justamente quando a gente procura ele em outros cantos e acha apenas coisas que não tem nada a ver com isso. É como um dia acordar com girassóis e nos outros dias tentar procurar sua graça e seu perfume em peças de lego e pães de leite. Não é a mesma coisa. Nunca será a mesma coisa.
E talvez eu jamais encontre a leveza dos girassóis na minha vida.
Que irônico.
Alguém que buscou tanto a felicidade, tanto, tanto...e acabou por se tornar infeliz.
Sei que a nossa felicidade não deve ser procurada em ninguém, a não ser dentro de nós mesmos, mas todos gostam de receber amor. E quando a gente vive uma vida sem o amor, a gente apenas vive uma vida. Simplesmente.
Eu absolutamente cansei de escrever absolutamente.
Eu absolutamente cansei de acordar na vida que sempre quis, sem a felicidade que sempre quis.
É como passar uma janta inteira a espera do bolo de chocolate perfeito e quando ele vem, vem seco e amargo.
A minha vida tornou-se o bolo de chocolate perfeito, porém seco e amargo.
Não há amor de verdade.
Há doença, mas não amor.
Há loucura, mas não amor.
E eu não posso me dar ao luxo de sentir falta dos meus girassóis, pois fui eu quem os amassou por uma possível ilusão de que eles me incomodavam. Só que quando eu os amassei, meu jardim ficou absolutamente ridículo.
Sem graça, sem riso, sem nada.
E se eu começar a elencar tudo aquilo do qual sinto saudade, sinto que vou chorar uma eternidade e corro o risco de secar para sempre.
Mas talvez seja melhor se eu falar. Porque pensar já dói o suficiente, mas escrever é escancarar a ferida. Acho que já sei o que fazer. Talvez seja a pior merda que eu faça.Mas...a sucessão de merdas já é uma constante em minha vida. Eu vou fazer. E mais uma vez...seja o que Deus quiser.
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